Herodes - Religiões, Construções e Paranoias


Houveram na história da Bíblia, pelo menos, quatro personagens de home “Herodes”, que aparecem em diferentes tempos.  O mais famoso trata-se daquele é conhecido como Herodes, o Grande, rei de Israel entre 37 a.C. e 4 a.C. Nascido em Jericó, na região de Iduméia*, sua mãe era nabatéia**, o que não lhe criava parentesco algum com os judeus, não lhe dando, portanto, o direito à coroa da Judéia. Como não tinha sangue judeu correndo em suas veias, Herodes fez aliança com o Império Romano para manter-se no poder.

Seus projetos colossais, como a construção de Jerusalém, as fundações das cidades gregas de Sebaste e Cesareia Palestina, as construções de fortalezas e palácios, e o magnífico Templo, fez com que Herodes ganhasse a confiança dos romanos. Contudo, seus 33 anos de reinado foram marcados pelo descontentamento do povo.

Como todos os usurpadores, Herodes era obcecado pela suspeita de traições e conspirações por toda parte. Os Asmoneus***, herdeiros da dinastia que ele suplantara, eram para Herodes objeto de constante temor e, por isso, ele procurava qualquer pretexto para se ver livre deles. Homem cruel e presunçoso, vítima contínua das paixões, Herodes estava bem distante das questões religiosas tão caras aos judeus de seu tempo. As intrigas da corte, as mulheres, as guerras e uma certa febre de construção absorviam-no por completo. Ficou conhecido, principalmente, por sua bárbara atitude de mandar assassinar as crianças de Belém, com menos de 2 anos, numa tentativa de encontrar e matar o menino Jesus (Mateus 2:1-16).


Teve influência fatal sobre o destino de Herodes o fato de sua mulher, Mariana, a única pessoa no mundo a quem ele amava com sinceridade, ser princesa da estirpe dos Asmoneus. Nesta bela mulher, altiva e corajosa, vivia o espírito de seus antepassados guerreiros que haviam lutado pela independência do país. Ela não escondia seu desprezo com relação ao marido. Em 29 a.C., seu drama familiar atingiu o ápice. O ódio de Mariana por Herodes manifestou-se de tal forma, que ele começou a suspeitar de sua participação em uma conjuração. Um dia, atiçado pelos parentes, Herodes, num ataque de ira, condenou à morte aquela a quem amava mais do que a qualquer outra pessoa no mundo. Amedrontados, os juízes ratificaram sem objeções o veredito do rei.

Herodes deixou disposto, em testamento, a partilha do reino entre três de seus filhos sobreviventes: Herodes Arquelau, Herodes Antipas e Filipe.

A data da morte de Herodes foi baseada no trabalho de Emil Schurer, em 1896 e, para a maioria dos estudiosos, se deu no final de março ou início de abril, em 4a.C. Pode parecer estranho que a morte Herodes tenha ocorrido em 4 a.C. uma vez que o ato mais famoso deste personagem teria sido justamente o infanticídio que tinha como objetivo a eliminação do recém-nascido Jesus Cristo. Essa aparente incoerência de datas pode ser explicada por um equívoco nos cálculos do monge Dionisio Exiguus, responsável pela criação calendário cristão. ****

No dia 8 de maio de 2007 o arqueólogo israelense Ehud Netzer, da Universidade Hebraica de Jerusalém, afirmou ter achado o que seria o túmulo do rei Herodes, no local conhecido como Heródio, uma colina no deserto da Judeia, onde o rei construiu seu palácio, próximo a Jerusalém.



*  Conforme  indicado pelo livro Primeiro Macabeus (4:29, 61; 5:65, BJ), a Iduméia incluía a região em torno de Hébron, chegando bem ao N, até Betsur, uns 26 km de Jerusalém.

**  Os Nabateus foram um antigo povo semítico, ancestrais dos árabes, que habitavam a região norte da Arábia, o Sul da Jordânia e Canaã, em especial os diversos povoados situados em torno dos oásis na região fronteiriça entre a Síria e a Arábia, do Eufrates ao mar Vermelho.

***  Os asmoneus eram os membros da dinastia governante durante o Reino Asmoneu de Israel, um Estado independente situado na Terra de Israel. A dinastia dos asmoneus foi fundada sob a liderança de Simão Macabeu, duas décadas depois de seu irmão, Judas Macabeu derrotar o exército selêucida durante a Revolta Macabeia, em165 a.C. O Reino Asmoneu sobreviveu por 103 anos antes de render à dinastia herodiana, em 37 a.C.

****  Como os romanos datavam os eventos a partir da fundação de Roma (Ab Urbe Condita), Exíguo determinou a data de nascimento de Jesus neste calendário. A partir de Lucas 3:1, se Jesus tinha trinta anos no décimo-quinto ano do reinado de Tibério em Roma, e se Tibério sucedeu a Augusto em 19 de agosto de 767 A.U.C., conclui-se que Jesus nasceu no ano 753 A.U.C. Porém, este fato está em desacordo com Mateus 2:1, pois Jesus teria nascido antes da morte de Herodes, em 749 A.U.C. A solução é que Tibério iniciou seu reinado com colega de Augusto, quatro anos antes da morte deste. Assim, o décimo-quinto ano de Tibério, citado por Lucas, ocorreu quatro anos antes do suposto por exíguo.


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